quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma pessoa não especial.


Em vários momentos, avisei a mim mesmo que deveria manter uma boa distância dele.
Não ouvi meus conselhos.
Estupidamente, fiquei.
Observei.
Gostei.
Es stimmt nicht!

Para a maioria das pessoas, mal chegava a ser visívil.
Uma pessoa não especial.
Com certeza, tinha excelentes habilidades.
As habilidades eram superiores à média.
Mas, de algum modo, e tenho certeza que vocês já devem ter conhecido alguém assim, conseguia parecer uma simples parte do cenário, mesmo quando estava na frente de uma fila.
Vivia apenas por ali.
Indigno de nota.
Não importante nem particularmente valioso.
Até agora.

O frustrante nessa aparência, como vocês devem imaginar, era ela ser completamente enganosa, por assim dizer.
Decididamente, havia valor, e isso não passou despercebido para ele.
Ele percebeu de imediato.
O jeito.
O meu jeito.
O ar tranquilo que me envolvia.

Ao ver aqueles olhos, os meus olhos, ele compreendeu que tinha muito valor.


UMA DEFINIÇÃO NÃO ENCONTRADA NO DICIONÁRIO
Não ir embora: ato de confiança e amor, comunente decifrado pelas crianças.
(the book thief)

As crianças gostavam.

3 meses e 7 dias e eu o deixei ir. Dessa vez, pra sempre

Sintonia


Sempre corri atrás da felicidade como uma criança corre atrás de um balão que é levado pelo vento.
Eu era o vento e não sabia.

sábado, 13 de novembro de 2010

Mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar."

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma
semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase
todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada impulso vital. Pois
esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista
por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para
uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um
movimento te surpreenderás pensando algo assim como estou contente
outra vez.

[ C. F ]

terça-feira, 25 de maio de 2010

Você sabe que de alguma maneira ele esteve ali, bem próximo. Que você podia tê-lo tocado. Você podia tê-lo apanhado. No ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco. E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro?

E eu gostava dele, merda, sempre acabava gostando das malditas pessoas e todas as suas loucuras. Ele se foi. E me disse que tinha estima e consideração e mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado. Mas porra, e eu?

Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem. Fico pensando que nunca mais vai se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar sempre.



Volta, que eu te cuido.

Com o carinho e amor de sempre.


[cf]